Uma das coisas que mais admiro nas pessoas é a capacidade de superação de limitações que a vida lhes impõem. Fico pensando como conseguem dar a volta por cima diante de uma dificuldade que parece intransponível.
Vejo caso de pessoas acidentadas, com perdas de órgãos ou partes importantes de seus corpos que se transformam em atletas. Pessoas que tiveram a alma estilhaçada por perdas importantes demais que arrumam forças para continuar vivendo e encontram, muitas vezes, na dor o lenitivo para abraçar uma causa nova ou dar sequência a vida sem se lamentar.
O ser humano é de uma beleza insuperável pela sua diversidade e antagonismos. Neste últimos dias acompanho com emoção a tragédia do Haiti. Para completar minha aflição diante desse fato, fico lembrando das guerras silenciosas da África que estão acontecendo neste momento, como a de Darfur no Sudão. Da pobreza de tantos outros povos esquecidos pelo desinteresse dessa mesma sociedade que se mostra presente no país devastado pelo terremoto. Tudo isso sem falar na miséria que presenciamos por todo lado no Brasil. Uma vergonha!
Penso na dificuldade dos inúmeros pobres deste mundo sem abrigo, comida e carinho. Vejo a periferia das grandes cidades com habitações miseráveis se demoronando pela localização ou excesso de chuvas, com pouco alimento, sem assistência médica e proteção. Seres humanos tratados com descuido e distância.
Quanta contradição diante desses fatos…
Quanta ação necessária cobra a humanidade para dar a todos o direito a uma cidadania plena. Por que manter essa indiferença diante de uma situação com tamanha gravidade?
O homem se reune em vários colegiados importantes para discutir os mais diversos assuntos e não toma uma decisão firme diante de tanta miséria e sofrimento.
Todos sabem que o que mais mais maltrata o planeta é o excesso de pessoas sobre ele. O resto é consequência. Com uma população adequada à reserva de suprimentos, é muito mais fácil encontrar uma solução decente para os habitantes desse nosso canto lindo do universo.
É preciso traçar um caminho de luz, tomando como exemplo os que superam a dor para modificar o nosso modo de usufruir e viver. Não podemos mais continuar aumentando a população exaurindo todas as reservas como se fosem infinitas. Não podemos mais consumir e desperdiçar sem medida.
Parece que a maioria sabe disto. Mas não abre mão do exagero e de um conforto adquirido pela imprudência.
Podemos superar nossas desigualdades se agirmos como aqueles que põem novas forças em sua vidas para contornar os obstáculos que são intransponíveis para muitos. Essa é a mudança que não depende só de governantes. É uma ação individual que deve ser praticada por cada um. O lixo jogado na rua é a complicação da enchente de amanhã…
Como fazer, então, que o homem entenda isso?
Será que ele só aprenderá diante das catrastrófes? Será que logo serão esquecidas? Como lembrá-lo que o seu comportamento pode definir o futuro bom ou mau para todos.
Até que ponto o egoísmo continuará produzindo a riqueza de poucos em detrimento de uma maioria de pobres e miseráveis?
Será que esquecem que as consequências serão para todos?
This entry was posted on segunda-feira, janeiro 25th, 2010 at 8:48 and is filed under Artigos. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.
