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Caminho de Luz janeiro 25th, 2010

Ronaldo Zica

Uma das coisas que mais admiro nas pessoas é a capacidade de superação de limitações que a vida lhes impõem. Fico pensando como conseguem dar a volta por cima diante de uma dificuldade que parece intransponível.

Vejo caso de pessoas acidentadas, com perdas de órgãos ou partes importantes de seus corpos que se transformam em atletas. Pessoas que tiveram a alma estilhaçada por perdas importantes demais  que arrumam forças para continuar vivendo e encontram, muitas vezes, na dor o lenitivo para abraçar uma causa nova ou dar sequência a vida sem se lamentar. 

O ser humano é de uma beleza insuperável pela sua diversidade e antagonismos. Neste últimos dias acompanho com emoção a tragédia do Haiti. Para completar minha aflição diante desse fato, fico lembrando das guerras silenciosas da África que estão acontecendo neste momento, como a de Darfur no Sudão. Da pobreza de tantos outros povos esquecidos pelo desinteresse dessa mesma sociedade que se mostra presente no país devastado pelo terremoto. Tudo isso sem falar na miséria que presenciamos por todo lado no Brasil. Uma vergonha!

Penso na dificuldade dos inúmeros pobres deste mundo sem abrigo, comida e carinho. Vejo a periferia das grandes cidades com habitações miseráveis se demoronando pela localização ou excesso de chuvas, com pouco alimento, sem assistência médica e proteção. Seres humanos tratados com descuido e distância.

Quanta contradição diante desses fatos…

Quanta ação necessária cobra a humanidade para dar a todos o direito a uma cidadania plena. Por que manter essa indiferença diante de uma situação com tamanha gravidade?

O homem se reune em vários colegiados importantes para discutir os mais diversos assuntos e não toma uma decisão firme diante de tanta miséria e sofrimento.

Todos sabem que o que mais mais maltrata o planeta é o excesso de pessoas sobre ele. O resto é consequência. Com uma população adequada à reserva de suprimentos, é muito mais fácil encontrar uma solução decente para os habitantes desse nosso canto lindo do universo.

É preciso traçar um caminho de luz, tomando como exemplo os que superam a dor para modificar o nosso modo de usufruir e viver. Não podemos mais continuar aumentando a população exaurindo todas as reservas como se fosem infinitas. Não podemos mais consumir e desperdiçar sem medida.

Parece que a maioria sabe disto. Mas não abre mão do exagero e de um conforto adquirido pela imprudência.

Podemos superar nossas desigualdades se agirmos como aqueles que põem novas forças em sua vidas para contornar os obstáculos que são intransponíveis para muitos. Essa é a mudança que não depende só de governantes. É uma ação individual que deve ser praticada por cada um. O lixo jogado na rua é a complicação da enchente de amanhã…

Como fazer, então, que o homem entenda isso?

Será que ele só aprenderá diante das catrastrófes? Será  que logo serão esquecidas? Como lembrá-lo que o seu comportamento pode definir o futuro bom ou mau para todos.

Até que ponto o egoísmo continuará produzindo a riqueza de poucos em detrimento de uma maioria de pobres e miseráveis?

Será que esquecem que as consequências serão para todos?

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Desrespeito à Natureza novembro 9th, 2009

Ronaldo Zica
O Rio de Janeiro é a cidade inscrustada no acidente geográfico mais deslumbrante do planeta. (Fernanda Torres)

Vista do Pão de Açúcar

Embora tenha nascido no interior sou um apaixonado pelo mar. E para mim não há lugar mais bonito que o Rio de Janeiro. Gosto do mar em cidade grande pois seu contraste faz um diferencial enorme diante de tantas coisas para ver.

No Rio, o Recreio e a Prainha são os meus cantos prediletos. Quando estou aqui faço minha caminhada matinal no calçadão e não me canso de ver tanta coisa interessante. Hoje, como de costume, sai logo cedinho. Que decepção quando cheguei no Pontal, que separa duas praias, Recreio e Macumba. Quanta sujeira havia sido deixada para trás nos últimos três dias de sol em plena primavera.

Pontal do Recreio

Fiquei pensando no descuido e no descaso da pessoas com aquele lugar. Suas areias claras maltratadas com tanto lixo.

Pessoas que passavam, paravam para ver o trabalho dos garis, tentando eliminar aquele rastro de falta de educação deixada pelo homem.

Como pode o ser humano ser tão insensível e grosseiro? Será que não pensa que amanhã ele voltará aquele mesmo espaço para aproveitar o sol e o mar.

Por todo caminho havia lixo, plásticos, garrafas vazias, canudinhos, fraldas usadas, garrafas pet e de vidro, muitas, de mais…

Passei por tudo aquilo e revoltado com tanto desrespeito fui parado por uma mulher que me falou: como pode acontecer isso aqui. Já que proibiram ônibus na prainha porque não proibem também  no Recreio. Não é possível que continuem depredando, poluindo, acabando com tudo.

A praia é o lugar mais democrático que conheço. Nada deveria ser proibido ali se as pessoas soubessem se comportar. Há espaço para todos e o mar é maior que toda a terra junta. E o Sol, então?

O que falta ao homem é a conscientização sobre a importância de preservar o bem comum, que a todos pertence, e, que o ato agressivo de destruir ofende a todos também.

Falta de educação, falta de respeito são catalisadores de uma convivência difícil. Por isso é mais fácil sugerir a exclusão que atacar as causas que levam a esse comportamento incompreensível de destruição.

A educação deve vir do berço. Mas se os educadores, no lar, não a tem, como transferir esse  manual de boas maneiras aos outros?

Somente a escola bem dirigida com professores conscientes e responsáveis, mestres de verdade, pode ocupar esse espaço que jamais deveria estar vago pela deseducação dos pais.

Ter noção de civilidade e respeito aos outros e à natureza pode fazer a diferença entre um mundo e outro.

Por isso, acho que somente com educação poderei um dia continuar andando por lugares tão belos sem voltar para casa com raiva de quem deveria respeitar.

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