Sempre me pergunto o que é felicidade. E penso que as pessoas costumam fazer esta pergunta para elas, também.
Sei que envolve coisas materiais, as ligadas ao espírito e ao sentimento.
Ser bonito, rico, famoso é o desejo de muita gente. Para outros ser bom, correto, generoso já é de bom tamanho. Para muitos ter um amor, muitos amigos é meta a ser perseguida a vida inteira. Quanta coisa caberia aqui para criar o condição desejada de felicidade. Cada pessoa a define de uma maneira diferente e tem a sua maneira individual de expressá-la.
Para mim ser feliz é estar em paz comigo mesmo. É amanhecer cada dia com o desejo de vivê-lo independente da condição que ele me trará. Pode ser alegre ou triste. Quente ou frio. Ensolarado ou chuvoso. Os problemas não deixarão de existir nunca e, as minhas contradições estarão sempre presentes. A condição humana que exige os alimentos para o corpo e para o espírito serão necessárias e as obrigações físicas impõem comportamentos e atitudes que independem da vontade de quem quer que seja.
Uma parte depende de nós outra da natureza. Não temos como fugir disso. Portanto, não adianta espernear demais tentando encontrar respostas e soluções para tudo.
Sou ansioso e brigo o tempo todo com esse traço que detesto em mim. Gostaria de ser mais desligado, mais liberto de coisas que irão acontecer ou não. Gostaria de me entregar totalmente nos braços do Creador e ficar tranquilo porque sei que tudo depende de seu plano nesta minha passagem por este planetinha lindo.
Infelizmente a gente tem tantos defeitos, sejam os de fabricação ou os que vamos adquirindo ao longo da vida que somos obrigados a uma luta permanente – uma guerra – para combatê-los. E nesse clima de confusão entre a correção dos desvios e o desejo de estar feliz que vamos construindo a vida que temos. Felizmente esquecendo que um dia vamos morrer e que deixaremos tudo para trás.
Da infância à maturidade buscamos uma razão para estarde bem conosco mesmos. É isso que a maioria chama de felicidade. Ser o mais bonito da turma, com uma estampa que chama a atenção faz um bem enorme quando se procura impressionar os outros, principalmente uma namorada nova, um bom negócio ou um encontro interessante. Um carro possante e diferente é desejo incontrolável. Ser reconhecido na rua, chamado pelo nome por um garçom na lanchonete, ter garrafa de Whisky identificada no bar da moda é coisa importante para alguns. Usar relógio caro, um par de óculos grifado sem dizer nas bolsas francesas que só, os de mesmo nível, sabem quanto custam, são motivos de felicidades para muitos.
Falar das viagens internacionais, da casa nova no condomínio de luxo, se mostrar próspero nos negócios é bacana para muita gente. E dá-lhe espaço para a etiqueta sem-vergonha exposta de maneira hipócrita, para indicar o nome famoso, que é vendida por um preço exorbitante, não pela qualidade, mas pelo traço que a identifica.
Então, quem pode criticar os outros por gostar de tudo isso? Tenho minhas incoerências.Faço coisas que não gostaria. Mas vou vivendo sem me esquecer que a alma precisa se alimentar também.
Tudo isso faz parte deste mundo que se prima pela matéria. Precisamos dela para viver: alimento, casa, fazenda, carro e assim por diante. É bom não se esquecer da saúde, do conhecimento, da segurança e do equilíbrio…
Por isso, penso que só a paz que construímos dentro de nós, quando agimos com integridade, corrigindo sistematicamente os erros, falhas e deslizes podemos emitir o nosso próprio conceito de felicidade sem criticar ninguém, dar lições, ou ser um juiz severo no julgamento alheio e camarada quando se tratar das nossas próprias ações.











