Archive for the ‘Pensamentos’ Category

Outono setembro 25th, 2009

Ronaldo Zica

 

Para mim o outono é a melhor e mais bela estação do ano, principalmente de seu meio para o fim. Fico encantado com o céu, quase sem nenhuma nuvem, revelando uma tranqüilidade que me alegra a alma. Quando anoitece fico com o desejo de ver o amanhecer seguinte e observar esse fenômeno lindo.
Os dias são menos quentes. A noite é mais suave. A brisa é quase imperceptível. A vegetação ainda guarda o verde que o verão deixou. A pouca chuva mantêm a terra limpa e os ambientes ainda sem poeira.
É tempo de frutas cítricas, atas e morangos. Algumas flores aparecem ainda nesse período, principalmente azáleas e quaresmeiras. O mais gostoso de tudo, para mim, é o clima de paz que a natureza derrama sobre a terra, nessa época, com a força de um azul celeste indescritível.
Antes que o inverno chegue, amarelando tudo, aproveito essa estação calma e pouco elogiada para refletir sobre a vida e as lições que ela nos trás.
Maio é o mês que mais gosto. Nele são homenageados o trabalho, a vitória, os artistas, os pintores, as mães, inclusive a do Redentor.
Hoje me encontro no outono da vida. Passei por outras estações e elas me deixaram as marcas boas de uma vida feliz. Vivi cada dia como se ele fosse para mim o último e dele aproveitei tudo que me ofereceu.
Nasci no interior e trago dentro de mim as marcas de uma cultura rural ligada a terra, aos rios, ao mato, as sementes e aos animais. Um sistema de vida intimista, mais para a reclusão e o anonimato que para a exposição.
Sou tímido (embora poucos acreditem nisto) e receio me expor. Só o faço, às vezes, por não querer guardar coisas que penso ser bom dividi-las com outras pessoas também.
Encaro a vida de maneira positiva, sonhando e construindo. E é dessa maneira que pretendo viver até o último momento do tempo que me resta, aceitando com paciência as provas que vierem.
Tenho o desejo de ver os outros crescerem e por isso exerço o meu lado professor em tudo que faço. Tento ver o lado certo das coisas e me alegro com o sucesso das pessoas. Preocupo-me com os mais fracos, com os desprovidos e com aqueles que não têm vez.
Penso que o outono é um canto da reflexão quando as folhas começam a cair das árvores. Já foram importantes e necessárias à fotossíntese e, cumprida sua função, se despregam do galho para se juntar a terra e adubá-la.
Sou filho de madeireiro e sei que as árvores choram quando derrubadas e que a floresta geme com tamanho estrago.
Quando falo da natureza, bate em mim a sensação de ter participado de parte de sua destruição e sinto a necessidade de ajudar em sua recomposição.
A consciência do que significa este planetinha lindo e a importância que tem para todos me obriga a agir para preservá-lo.
Não quero perder as belezas de cada época do ano. Menos ainda o azul do céu dessa estação.
Por isso, sei que somente cuidando dele poderemos continuar usufruindo de tantas belezas e das riquezas que nos oferece. Inclusive as noites estreladas do outono.

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Simplicidade setembro 17th, 2009

Ronaldo Zica

SIMPLICIDADE

O ápice da sabedoria é a simplicidade.

Custei a entender isto. Afinal passamos a vida inteira correndo atrás de riqueza, conforto e facilidades. Como então ter uma vida simples diante dessas bondades todas, quando somos beneficiados com  essas coisas?

Somente entendendo o ciclo da vida é que começamos a rever os valores e a compreender que daqui nada se leva a não o que foi acumulado pelas nossas ações positivas e os débitos que contraímos com nossos desacertos. Mas, nada material.

Não sou a favor da pobreza, da necessidade,  nem acho que elas são sinônimos de simplicidade.

Simplicidade para mim é uma maneira de viver, sem afetação, sem deslumbramento, usufruindo dos bens que conquistamos sem os exageros e os desperdícios tão comuns aos nossos dias. Ser simples e ser transparente.

Simplicidade e ter tudo na medida certa. Nunca vi uma pessoa calçar ao mesmo tempo dois pares de sapatos. A maioria necessita de uma quantidade diária de comida que, fugindo da gula, não ultapassa a mil gramas por dia. Somando todas as refeições.

Sou a favor da fartura e radical contra o desperdício. Fico pensando na quantidade de muros a separar as casas. Que utilidade  melhor teriam, se os seus materiais tivessem sido empregados em outras moradias para aqueles que não as têm. Vejo as sobras que vão para o lixo ainda úteis para a vestimenta ou alimentação. E o que ainda poderia ser reciclado…

Este é um campo de incongruências para mim. Pois tendo como meta ter uma vida simples ainda me prendo em tantos valores que desaparecem com a morte. Como me livrar deles?

A a nossa passagem pela Terra é apenas o pequeno slide desse filme misterioso que é  existir. E  na sequência de uma vida não pode haver apenas frivolidades e luxo.  A vida cobra a necessidade de ser útil e de se ter a consciência que os bens que utilizamos, no fundo pertece a todos, e não apenas ao nosso prazer egoísta. Não sou contra possuir. Sou contra é dar um destino improdutivo aquilo que se tem.

Sinto que posso continuar a ter coisas e ser simples. Uma simplicidade verdadeira, sem hipocrisia, usufruindo daquilo que conquistamos sem necessidade de ser egoísta ou arrogante.

Penso que à medida que a vida vais se processando e  o seu entendimento fica mais claro, os bens materiais podem ir sendo distribuidos de tal forma que o homem ao morrer não deixe um grande inventário, mas ótimas lembranças de vida, incluindo aí os presentes dados, muitas vezes nos momentos mais acertados.

Parece fácil. E este é um argumento que  agrada aos herdeiros. E que pode até prejudicá-los em um momento que devem construir, por si mesmo, suas próprias vidas.

Conhecendo essa verdade resta apenas saber como agir para conciliar os fatos e, poder, sem abrir mão do conforto, ter a simplicidade como procedimento.

Quem se habilita a ensinar como fazer isso?

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Silêncio é prece setembro 11th, 2009

Ronaldo Zica

Fazenda 28 de agosto de 2007 069

A primeira vez que vi essa frase foi em uma tabuleta sobre a mesa onde trabalhava Chico Xavier. Não sei de quem ela é. Mas sei que é uma das belas coisas que já li.

Como podem esses dois substantivos e um verbo, guardar tanta sabedoria.

Neste mundo tão barulhento falar de silêncio agride. Quantos são os que podem usufruir de bem tão importante para o equlibrio do corpo e deleite da alma?

Mesmo nos ambientes mais energizados como frente ao mar, há o movimento das ondas e o som delas quebrando na areia. E nas matas até as árvores falam. O vento, ainda que no deserto, também conversa com as areias. Onde está então o silêncio? Só no vacuo?

Não, o silêncio a que me refiro é aquele que se faz em nosso interior. É algo que sabemos quando acontece pela sensação de paz que impomos a alma quando nossa consciência está tranquila e nossa vida em paz.

Todas as vezes que me onho a meditar sinto as ondas cerebrais buscando esse silêncio profundo que nenhuma turbulência ou som externo pode perturbar.

Nesse instante penso em todos os que amo e naqueles que são importantes para mim. Solto o pensamento e volto ao meu tempo de menino e não permito que prospere nada negativo em meu pensamento. Se de vez, alguma lembrança ruim, de coisas ou pessoas aparecem, dou sempre um jeito de envolvê-la em manto de paz e ela desaparece por encanto. Continuo assim por um longo tempo até que usufrua de todo bem que esse procedimento me traz.

Silêncio interior é presente que damos a nós mesmos. Ele recupera a parte machucada, quebrada, que o dia-a-dia nos oferta. Não somos obrigados a viver no burburinho de nossas confusões internas, já que das externas, é dificil demais.

Fico reparando atitudes das pessoas diante do silêncio. É raro encontrar uma casa onde a televisão não é o seu ponto de encontro. As salas de visita, tão comuns nas casas de antigamente, são apenas  lembranças ou enfeites. Tudo acontecesse com a televisão ligada. No restaurante ela está presente. No avião, no ônibus, há sempre um meio de não nos deixar sozinhos com nossos pensamentos. Há sempre algo mais a nos envolver e pertubar. Gostamos disso!

Hoje de manhã passiei de bicicleta pela praia do Recreio e da Macumba. Nomeio desta última tem a pedra de Itapuã onde gosto de parar para ver e ouvir o mar. Ali faço minha meditação e ouço a voz consciência e a voz do coração. Que silêncio diante de tantos sons diferentes. Do mar, do vento, das ruas…

Assim, vou procurando no meio do barulho um lugar onde eu possa conviver com meu silêncio e ter assim uma oportunidade de elevar a Deus o pensamento e flechar com uma mensagem de luz corações bons e maus mandando-lhes silenciosamente um recado de amor.

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Equilíbrio setembro 10th, 2009

Ronaldo Zica

Diversas 134EQUILÍBRIO

Existem palavras que por si próprias dizem tudo. Palavras que agradam e que marcam. Palavras que soam fortes pelo sentido que dão aos fatos.

Existe uma que pelo seu significado sempre me chama atenção: equilíbrio.

Por que gosto tanto dela?  Porque nas vezes que me sinto fora do eixo vejo o mal que produzo em mim e as consequências danosas que levo às vidas de outros.

Estar equilibrado é estar em paz. Pronto para ter uma resposta amena a qualquer turbulência ou agressão. A mesma paz que desejamos ao mundo deve começar pelas nossas atitudes serenas e calmas. Pois, estando equilibrados podemos viver em qualquer canto em desequilibrio sem que isto possa interferir diretamente em nossas ações. O contrário, não!

Venho aprendendo com as trombadas da vida o quanto é importante viver em equilibrio. Um dos pontos que tenho trabalhando em mim é procurar eliminar tudo que possa me desequilibar: companhia egoísta e arrogante, pessoas negativas, gente má, tumultos, ambientes desorganizados, trânsito agressivo, conversas desagráveis…

Busco as coisas simples, que não exigem muitas explicações. Gente sincera e transparente. locais amplos e arejados. Procuro trafegar em horários foras dos picos e de chegar mais cedo aos compromissos. Não desejo fazer nada mais de última hora, nem criar situações que me tragam mais preocupação.

Sei que a vida não é simples. A complexidade das coisas não pode se servir de um tempero desequilibrado das nossas atitudes. Elas sim precisam ser amparadas por um  comportamento harmonioso.

Sem harmonia é impossível ter procedimento equilibrado.

São tantas as coisas a mexerem nesse ponto sensível do universo humano que fico pensando como pode  o homem viver em paz diante  de tantas informações que lhe chegam o tempo todo.

Penso que não estamos prontos para digerir tanta coisa ao mesmo tempo. A velocidade cada vez mais intensa a nos bombardear noite e dia sobre todos os assuntos não permite que o nosso pensamento descanse.

E dessa forma vamos nos enveredando por um labirinto de coisas que se atam e misturam sem nos dar a chance de viver em paz.

A contemplação passou a ser perda de tempo. O momento que dedicamos a nós mesmo, uma vergonha por vasculhar nossa intimidade. Ficar a sós nem pensar. Solidão, pra quê?

Precisamos no dia-a-dia de movimento. Se a vida é movimento, vive mais quem movimenta mais? Será isto uma verdade?

Gosto muito da expressão “silêncio é prece”. Pois cria harmonia e  calma, equilibrando o corpo e a mente, nos mantendo mais ordenados e felizes.

Desejo neste espaço, humildemente expor, de maneira bem simples o que penso sobre as coisas que me envolvem. Desejo apresentar um ponto de vista sob minha óptica, certo ou errado, mas verdadeiro, que desejo compartilhar com minha familia, meus amigos e com todos aqueles que acham a vida uma bela viagem nessa caminhada rumo ao infinito.

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