Para mim o outono é a melhor e mais bela estação do ano, principalmente de seu meio para o fim. Fico encantado com o céu, quase sem nenhuma nuvem, revelando uma tranqüilidade que me alegra a alma. Quando anoitece fico com o desejo de ver o amanhecer seguinte e observar esse fenômeno lindo.
Os dias são menos quentes. A noite é mais suave. A brisa é quase imperceptível. A vegetação ainda guarda o verde que o verão deixou. A pouca chuva mantêm a terra limpa e os ambientes ainda sem poeira.
É tempo de frutas cítricas, atas e morangos. Algumas flores aparecem ainda nesse período, principalmente azáleas e quaresmeiras. O mais gostoso de tudo, para mim, é o clima de paz que a natureza derrama sobre a terra, nessa época, com a força de um azul celeste indescritível.
Antes que o inverno chegue, amarelando tudo, aproveito essa estação calma e pouco elogiada para refletir sobre a vida e as lições que ela nos trás.
Maio é o mês que mais gosto. Nele são homenageados o trabalho, a vitória, os artistas, os pintores, as mães, inclusive a do Redentor.
Hoje me encontro no outono da vida. Passei por outras estações e elas me deixaram as marcas boas de uma vida feliz. Vivi cada dia como se ele fosse para mim o último e dele aproveitei tudo que me ofereceu.
Nasci no interior e trago dentro de mim as marcas de uma cultura rural ligada a terra, aos rios, ao mato, as sementes e aos animais. Um sistema de vida intimista, mais para a reclusão e o anonimato que para a exposição.
Sou tímido (embora poucos acreditem nisto) e receio me expor. Só o faço, às vezes, por não querer guardar coisas que penso ser bom dividi-las com outras pessoas também.
Encaro a vida de maneira positiva, sonhando e construindo. E é dessa maneira que pretendo viver até o último momento do tempo que me resta, aceitando com paciência as provas que vierem.
Tenho o desejo de ver os outros crescerem e por isso exerço o meu lado professor em tudo que faço. Tento ver o lado certo das coisas e me alegro com o sucesso das pessoas. Preocupo-me com os mais fracos, com os desprovidos e com aqueles que não têm vez.
Penso que o outono é um canto da reflexão quando as folhas começam a cair das árvores. Já foram importantes e necessárias à fotossíntese e, cumprida sua função, se despregam do galho para se juntar a terra e adubá-la.
Sou filho de madeireiro e sei que as árvores choram quando derrubadas e que a floresta geme com tamanho estrago.
Quando falo da natureza, bate em mim a sensação de ter participado de parte de sua destruição e sinto a necessidade de ajudar em sua recomposição.
A consciência do que significa este planetinha lindo e a importância que tem para todos me obriga a agir para preservá-lo.
Não quero perder as belezas de cada época do ano. Menos ainda o azul do céu dessa estação.
Por isso, sei que somente cuidando dele poderemos continuar usufruindo de tantas belezas e das riquezas que nos oferece. Inclusive as noites estreladas do outono.


