A Força do Abraço outubro 21st, 2011

Ronaldo Zica

Sempre achei bonito ver duas pessoas se abraçando. É uma atitude interessante onde os corpos se tocam, em uma proximidade pouco usual, demonstrando intimidade e produzindo um gesto de carinho. E carinho é tão bom!

Fico pensando como seria melhor se as pessoas que se gostam ao se encontrarem, ao invés do tradicional aperto de mão (que também é um pequeno abraço), pudessem agir assim.

 

São muitas as formas de abraçar. Existe aquela em que os filhos, com seus braços, formam um colar que envolvem o pescoço de seus pais. O do criança  e se agarrrando em nossas pernas. O abraço dos namorados cheios de paixão, apertando o máximo que conseguem o corpo do ser amado. Oh! que saudade… Tem o abraço dos amigos genuínos trocados com afeição. Tem o da chegada. O da partida. O da noite pondo sintonia na hora do amor. Tem os abraços mentirosos, também. Daqueles que custamos a nos desvencilhar quando não é sincero ou carregado de hipocrisia. Nessa hora é melhor fugir, mesmo. Nada pior que um falso abraço.

Sempre gostei de abraçar e de ser abraçado. Em todas as ocasiões sinto uma troca de energia positiva e verdadeira . Existem os abraços inesquecíveis, aqueles que carregamos como os melhores, os mais gostosos e que  dão prazer  em recordar. Lembro-me de alguns que marcaram minha vida  e os guardo com cuidado para deles nunca me esquecer.

Há poucos dias uma pessoa que abracei não me soltava e, como tenho por regra ser o último a sair, ficamos parados um tempão agarrados indiferentes as pessoas que olhavam. Uma outra, que vira aquilo em plena livraria, abordou-me  e pediu que lhe abraçasse também.

 _  Moço, será que mereço um abraço seu?

Fiquei um pouco tímido diante da solicitação inesperada de alguém que não conhecia, mas, fiz o que  pediu. Depois  falou-me que fazia anos que não era abraçada por ninguém.

Que tinha muita vontade que aquilo acontecesse regularmente em sua vida e não encontrava oportunidade. Sentia uma carência enorme de amor, pois a solidão era sua mais presente companhia. Fora criada em um sistema que vedava o contato físico  e sentia o quanto havia perdido de afeto por anos a fio. Uma vida inteira sem compartilhar essa emoção tão especial.

Todos que tem coração desejam ser amados. Raramente encontrei quem não gostasse de atenção. A gentileza toca até os mais rudes e duros. Não há nada mais forte que o amor e o abraço é a demonstração dessa força.

Todas as vezes que abraçamos alguém é como se tivessemos lhe dizendo o quanto é importante em nossa vida e quanto desejamos sua presença juntinho de nós. O abraço não é tão íntimo como o beijo, principalmente aquele em que as bocas se tocam.  Por mais chegado que seja, raramente demonstra um desejo sensual. É uma expressão de felicidade que não agride nem mesmo os mais preconceituosos e pode ser dado em qualquer lugar.

Pensei de novo: como as convenções humanas limitam as demonstrações de afeto. Quanto não se perde no dia a dia de momentos bons para trocar, com quem amamos, essa forma gostosa de carinho.

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