Ganhei há mais de cinquenta anos uma coleção de livros de meu pai que folhei a vida inteira sem ler nenhum deles em sua totalidade.
São livros para serem folheados e não lidos, mesmo. Sempre pensei assim!
Dentre eles tem um chamado Antologia do Pensamento Mundial. Uma miscelânia de pequenos escritos de diversos filófosos e homens importantes para a humanidade.
Hoje de manhã quando abri meu pequeno e gostoso escritório na fazenda Santa Joana, me deparei com o velho móvel de portas de vidro que fica à sua entrada e de lá retirei o meu velho companheiro. Fiquei emocionado quando vi minhas anotações de infância. Quanta coisa bonita e cheia de sabedoria que já li em minha vida. Ali lembrei de uma pergunta feita por um amigo, recentemente, sobre qual era a maior invenção do homem. Ele afirmara que era a escrita. Tem razão ,Ivanor, é ela mesma. Pois é capaz de guardarcoisas incríveis nesse ajuntamento de letrinhas que vão criando palavras e frases na expressão do pensamento. Fica guardada é a mesma quando consultada e na hora que queremos.
Assim que abri aquele livro, com saudade, vi tanta coisa que apliquei na vida e quantas desprezei por incompetência ou descuido. Pequenas frases, citações, ditados, provérbios, textos e testemunhos. Sabedoria construída ao curso da vida de tantos homens importantes. Coisas cheias de encanto e de certezas. Por isso, ficaram.
Tem Átila, Pitágoras, o Mestre Jesus, Nietzsche, Amiel, Gibran, Tagore, Benjamim Franklin, Victor Hugo, Lope de Vega, Bernard Shaw, Rui Barbosa, Santo Agostinho, Confúcio, Voltaire, Demócrates, Whitman, Omar Al Khayan, Fenélon, Ésquilo, Goethe, Anatole France e inúmeros outros que de alguma forma ali deixaram seu pensamento.
Lembrei do meu tempo de menino curioso quando lia aqueles escritos e achava que os pensamentos surgiam como frases fora de um contexto e ficava criando algumas com a minha filosofia do nada. Que tolice!
Não entendia, ainda, que a sabedoria era fruto da observação e de uma vida cheia de experiência e conhecimentos que são adquiridos ao longo dos tempos no curso da vida.
Li em voz alta a maioria deles e eles me tocavam com a mesma emoção dos meus tempos de adolescente. Sou observador e gosto de ver onde a bela filosofia está presente em meu viver.
Algumas são pequenas reflexões que podem nos fazer pensar por muito tempo. Outras, páginas pesadas com conhecimento e vigor dignos de serem analisadas a vida inteira.
Viver é desenhar sem borracha, como o diz o Millôr. Mas ao me deparar com tanta coisa linda escrita eu vejo quantos homens inteligentes e sábios passam pela terra marcando com profundidade essa existência desenhada com conhecimento e arte, sem precisar de apagador.
This entry was posted on sábado, outubro 17th, 2009 at 14:37 and is filed under Diversos. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.
