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	<title>Ronaldo Zica</title>
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	<description>Pensamentos</description>
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		<title>Maltrato</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Oct 2011 21:28:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem após um dia chuvoso sai andando pela fazenda. Passei pelas invernadas onde os tratoristas limpavam com  máquinas as pastagens. Parava, olhava o trabalho, via o gado e seguia. circulei muito. Fui até o rio, caminhando por uma mata fechada e úmida, que me estimulava com cheiro de terra  molhada e folhas novinhas. Quase sempre vinha a minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ontem após um dia chuvoso sai andando pela fazenda. Passei pelas invernadas onde os tratoristas limpavam com  máquinas as pastagens. Parava, olhava o trabalho, via o gado e seguia. circulei muito. Fui até o rio, caminhando por uma mata fechada e úmida, que me estimulava com cheiro de terra  molhada e folhas novinhas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quase sempre vinha a minha mente pensamentos. Cada momento aparecia um diferente. Depois, um ficou permanente: por que as pessoas maltratam as outras? Por que maltratam os animais? Por que maltratam o planeta? E assim foram aparecendo interrogações uma atrás da outra. Pensei: preciso ordenar essa bagunça. Por onde vou começar a reflexão?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como vinha devagarinho, quase sem fazer barulho, parei embaixo de uma árvore frondosa e me veio uma crise de espirros que foi seguida de uma barulheira infernal. Lá encima tinha um bando de macacos que se assustou com minha presença. Fiquei desorientado também e sai correndo. Quando percebi que não havia perigo nenhum comecei a rir daquela surpresa. Assustado por um bando de macacos prego no momento em que meu cérebro começava a processar o método que eu havia escolhido para ordenar o pensamento, era demais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deixa pra lá os macacos e vamos as interrogações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por que maltratar o planeta, esta casa de beleza extraordinária, que foi dada ao homem para viver. Lixo por todo lado, fontes de águas violadas, matas derrubadas, excesso de suspensão no ar, sub-solo cheio de esgoto e estacas para sustentar prédios, gasto exagerado de petróleo para mover máquinas, carros, aviões&#8230; É tanta necessidade criada para explorar e sujar a Terra que um dia ela pode ficar magoada e querer-se vingar.<a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Nova-imagem1.jpg"></a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por que agimos assim? Somos loucos, ou burros (minha desculpa a esse útil animal) para não entender que é importante preservá-la para a nossa própria sobrevivência? É a pura insensatez, acabei concluíndo, na minha filosofia rasa e de pouca consistência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E os homens, por que maltratam os animais?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> _ Aí é covardia, maldade mesmo&#8230; Não precisei gastar mais energia para dar meu veredito.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E por que maltratam as pessoas?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> _ Essa aí e dura de responder. São tantas as razões que é impossível achar uma resposta numa caminhada como a minha; ainda mais que  eu me lembrava dos macacos e ria.  A maldade, a vigança, a inveja, o ódio, a covardia, a raiva e outros sentimentos menores que os homems cultivam podem dar vazão a esse processo insidioso</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> Fico triste quando maltrato alguém, vejo esse meu lado ruim e  me envergonho quando ajo assim. Gostaria de fazer uma recomposição imediata. Um pedido de perdão ou de desculpa. Nem sempre é fácil proceder desse modo. O mal está feito e o orgulho, muitas vezes, não deixa a bola baixar. Mas, fico mal comigo, cheio de questionamentos e perguntas sobre o meu procedimento. Seria bom se tivesse evitado a causa, deixado passar e não ter cometido o ato, que dele, é certo, iria me arrepender mais tarde.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É ruim demais ser maltratado. Pior é maltratar os outros e cravar-lhes na alma uma dor desnecessária. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Continuei andando, agora por um varjão todo verdinho, com vacas brancas e bezerrinhos que nasciam em aquele dia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que bom seria se a vida fosse feita de  silêncio das matas e sustos de macacos. E eu na minha insignificância de homem comum, pudesse olhar para trás e não ver em meus rastros marcas de insensatez de ter ferido alguém, deixando em seu coração cicatriz, que mesmo com o perdão, eu não poderei mais apagar.</span></p>
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		<title>A Força do Abraço</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 14:24:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre achei bonito ver duas pessoas se abraçando. É uma atitude interessante onde os corpos se tocam, em uma proximidade pouco usual, demonstrando intimidade e produzindo um gesto de carinho. E carinho é tão bom! Fico pensando como seria melhor se as pessoas que se gostam ao se encontrarem, ao invés do tradicional aperto de mão (que também é um pequeno abraço), pudessem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Nova-imagem.jpg"></a>Sempre achei bonito ver duas pessoas se abraçando. É uma atitude interessante onde os corpos se tocam, em uma proximidade pouco usual, demonstrando intimidade e produzindo um gesto de carinho. E carinho é tão bom!</p>
<p>Fico pensando como seria melhor se as pessoas que se gostam ao se encontrarem, ao invés do tradicional aperto de mão (que também é um pequeno abraço), pudessem agir assim.<a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC02384.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-216" title="DSC02384" src="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC02384-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<address></address>
<p> </p>
<p style="text-align: left;">São muitas as formas de abraçar. Existe aquela em que os filhos, com seus braços, formam um colar que envolvem o pescoço de seus pais. O do criança  e se agarrrando em nossas pernas. O abraço dos namorados cheios de paixão, apertando o máximo que conseguem o corpo do ser amado. Oh! que saudade&#8230; Tem o abraço dos amigos genuínos trocados com afeição. Tem o da chegada. O da partida. O da noite pondo sintonia na hora do amor. Tem os abraços mentirosos, também. Daqueles que custamos a nos desvencilhar quando não é sincero ou carregado de hipocrisia. Nessa hora é melhor fugir, mesmo. Nada pior que um falso abraço.</p>
<p>Sempre gostei de abraçar e de ser abraçado. Em todas as ocasiões sinto uma troca de energia positiva e verdadeira . Existem os abraços inesquecíveis, aqueles que carregamos como os melhores, os mais gostosos e que  dão prazer  em recordar. Lembro-me de alguns que marcaram minha vida  e os guardo com cuidado para deles nunca me esquecer.<a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC02385.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-215" title="DSC02385" src="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC02385-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Imagem-044.jpg"></a></p>
<p>Há poucos dias uma pessoa que abracei não me soltava e, como tenho por regra ser o último a sair, ficamos parados um tempão agarrados indiferentes as pessoas que olhavam. Uma outra, que vira aquilo em plena livraria, abordou-me  e pediu que lhe abraçasse também.</p>
<p> _  Moço, será que mereço um abraço seu?</p>
<p>Fiquei um pouco tímido diante da solicitação inesperada de alguém que não conhecia, mas, fiz o que  pediu. Depois  falou-me que fazia anos que não era abraçada por ninguém.</p>
<p>Que tinha muita vontade que aquilo acontecesse regularmente em sua vida e não encontrava oportunidade. Sentia uma carência enorme de amor, pois a solidão era sua mais presente companhia. Fora criada em um sistema que vedava o contato físico  e sentia o quanto havia perdido de afeto por anos a fio. Uma vida inteira sem compartilhar essa emoção tão especial.</p>
<p>Todos que tem coração desejam ser amados. Raramente encontrei quem não gostasse de atenção. A gentileza toca até os mais rudes e duros. Não há nada mais forte que o amor e o abraço é a demonstração dessa força.</p>
<p>Todas as vezes que abraçamos alguém é como se tivessemos lhe dizendo o quanto é importante em nossa vida e quanto desejamos sua presença juntinho de nós. O abraço não é tão íntimo como o beijo, principalmente aquele em que as bocas se tocam.  Por mais chegado que seja, raramente demonstra um desejo sensual. É uma expressão de felicidade que não agride nem mesmo os mais preconceituosos e pode ser dado em qualquer lugar.</p>
<p>Pensei de novo: como as convenções humanas limitam as demonstrações de afeto. Quanto não se perde no dia a dia de momentos bons para trocar, com quem amamos, essa forma gostosa de carinho.</p>
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		<title>Um Sorriso Um Olhar</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jan 2011 13:22:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada me chama mais atenção nas pessoas que um sorisso ou um olhar. Daqueles que entram alma a dentro e que revelam a emoção verdadeira de quem os lança no ar. Que coisa linda é a expressão de felicidade que essas estruturas que trazemos nas faces são capazes de revelar. Quando o sorriso se casa como o olhar é a perfeição [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nada me chama mais atenção nas pessoas que um sorisso ou um olhar. Daqueles que entram alma a dentro e que revelam a emoção verdadeira de quem os lança no ar. Que coisa linda é a expressão de felicidade que essas estruturas que trazemos nas faces são capazes de revelar. Quando o sorriso se casa como o olhar é a perfeição maior que o ser humano pode produzir em beleza para demonstrar uma afeição. É a alma saindo do corpo nos envolvendo com a ternura semelhante a do sol que se abre sobre a terra espantando a manhã escura.<a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/01/DSC04898.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-212" title="DSC04898" src="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/01/DSC04898-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Em dois anos e meio, minhas filhas e meus genros me deram dois casais de netos. Quatro criaturas especiais que acrescentaram à minha vida um prazer nunca por mim experimentado. Acompanhei com cuidado o nascimento de cada um. Participei em tudo que achava necessário ou importante, sempre respeitando o desejo e as decisões de seus pais.   Dediquei tempo para acompanhar seus nascimento, com suas caracterisiticas próprias e individuais. Faço questão que pegá-los no colo, desde molinhos, e sem me conter lhes dou os beijos que nunca me satifazem. Sempre quero mais. De vagarinho estão crescendo,  descobrindo o mundo com o tato, com o olhar e agora com as palavras. São felizes e alegres demais.<a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Fazenda-Julho-2010-004.jpg"></a></p>
<p style="text-align: justify;">Vejo sorrisos de todo tipo. Há os abertos, soltos, debochados. Os reservados e os maliciosos. Quando são corrigidos pelas travessuras, tem os seus amarelos, também.</p>
<p style="text-align: justify;">Os olhares são enigmáticos. Sempre revelam uma intenção. Fico um tempão observando o que querem dizer em suas falas de vocabulário deficiente e com as palavras ditas de uma maneira infantil e encantadora. Recordo de meus filhos pequenos ainda, e deixo fluir as lembranças antigas renovadas agora por essa porção de reavivamento do mais puro amor que só as crianças são capazes de criar.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida, os netos plantam na coração dos avós um sentimento novo, gostoso , que aumenta o prazer de viver. Eles mudam, de fato, o nosso coportamento e geram razões especiais para fazer a vida ficar mais prazerosa e feliz.<a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/01/DSC04911.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-213" title="DSC04911" src="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2011/01/DSC04911-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Nunca aproveitei tanto o sorriso e o olhar como agora. Fico observando a renovação da vida e como ela é construída no dia a dia. Meu coração vibra com suas atitudes e minha vontade é de apertá-los sempre. Sinto-me chato por essas atitudes, mas não consigo ficar sem tocar e envolvê-los com abraços e beijos.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho graça de tudo que eles aprontam, mesmo das coisas erradas, e faço força para me conter quando os pais lhe chamam à atenção. Meu desejo é deixar as coisas correrem sem freio  aproveitando cada momento que passo com eles. Sou meio sem paciência e às vezes canso e me escondo procurando sossego. Sempre me acham e volto com prazer a conviver com eles, aproveitando esses momentos que são únicos, indeléveis, que guardarei em um cantinho protegido da minha alma para não perdê-los jamais.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje amanheceu chovendo.  Agora abriu o sol gostoso.  Por isso que me recordei deles. É como se a natureza  se desmanchasse em um sorriso encantador, que me lembraram os dos pequeninos que enchem meu coração de amor quando me dão os seus. </p>
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		<title>A Mala Verde da Tia Nair</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Oct 2010 14:38:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[              No depósito da minha chácara ficou guardada por muitos anos uma mala, daquelas antigas, meio arredondadas, que não sei se era de madeira ou papelão; revestida por uma lona verde que tinha em seu fecho um pequeno cadeado.           Todas as vezes em que eu organizava aquele espaço,  pegava a mala, tirava a poeira, e a recolocava na prateleira. Para mim era algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<address style="text-align: left;">      </address>
<address style="text-align: left;"> </address>
<address style="text-align: left;">     No depósito da minha chácara ficou guardada por muitos anos uma mala, daquelas antigas, meio arredondadas, que não sei se era de madeira ou papelão; revestida por uma lona verde que tinha em seu fecho um pequeno cadeado. </address>
<address style="text-align: left;">         Todas as vezes em que eu organizava aquele espaço,  pegava a mala, tirava a poeira, e a recolocava na prateleira. Para mim era algo do meu cunhado Roberto e portanto não me preocupava com o que estava  dentro. Ele viajava muito e eu pensava que deixara ali algumas coisas guardadas que não lhes fossem necessárias, pois nunca  procurava por ela.</address>
<address style="text-align: left;">          Aquela mala não me intrigava. A tratava com naturalidade como qualquer coisa que ficava ali sem muita importância. Como sou pouco curioso, apenas  limpava e a recolocava no mesmo lugar.</address>
<address style="text-align: left;">         Os anos foram passando. Depois de uns quize, um dia ,chamei a Marilda e disse-lhe para ligar para o Roberto e saber dele o que fazer com aquele objeto. Afinal, eram muitos anos zelando de uma mala sem saber por quê.</address>
<address style="text-align: left;">          Para  minha surpresa o Roberto informou que ele nunca teve nada guardado lá. E que aquela mala não era dele. Que loucura, Meu Deus, eu cuidando de um bem por tanto tempo, pensando que era de uma pessoa, e agora ele não tinha mais dono.</address>
<address style="text-align: left;">          Resolvi violar o cadeado e ver o que tinha dentro. E ao abrir, para surpresa, maior ainda, a mala continha objetos que pertenceram a Tia Nair, que morrera há vários anos.</address>
<address style="text-align: left;">          Dona Nair é uma das tias de minha mulher. Solteira, de temperamento forte, querida e respeitada. Professora de várias gerações. Como nunca se casou, adotou os sobrinhos como filhos e ajudou a cuidar dos dez de sua irmã, minha sogra.</address>
<address style="text-align: left;">          Era uma pessoa magra, de comportamento disciplinado e severo. Quando a conheci há uns quarenta anos ela era uma pessoa de meia idade. Muito religiosa, guardava em si os envolvimentos com a Igreja na matriz de Campinas, onde a familia, vindo de Minas Gerais, se estabeleceu. Seu pai era farmacêutico. O primeiro daquela cidade &#8211; Campininha da Flores de Nossa Senhora da Conceição - que mais tarde se tornaria o bairro conhecido de Goiânia.</address>
<address style="text-align: left;">          Pensei: como pude guardar por tanto tempo, coisas tão pessoais, sem que ningúem as reivindicassem ou dessem qualquer pista, ou sentissem  suas faltas.</address>
<address style="text-align: left;">         Pedi novamente a Marilda que ligasse para sua mãe para ver o que fazer com aquelas peças que, possivelmente, teriam sido importantes  para sua dona. Papeis, santinhos, missais, terço, velas&#8230;</address>
<address style="text-align: left;">         A resposta é que em seu apartamento não havia espaço para acomodar aquela mala. O que fazer, então, com o que estava dentro, se tudo aquilo só interessava a quem já não vivia mais? Não havia herdeiro direto ou quem quizesse guardar os objetos como lembrança&#8230;</address>
<address style="text-align: left;">         Que lição aprendi naquele dia, fiquei pensando. Quantas coisas guardamos na vida que só interessam a nós mesmos e que damos um grande valor e não têm  utilidade para mais ninguém. Lembrei-me de alguns bens que pertenceram a dona Amália Hermano, que comprei após sua morte em processo de liquidação do espólio. Quantas coisas acumulei que só tem importância para mim e que, possivelmente, terão os mesmos destinos dos encontrados na mala da tia Nair ou nas coisas vendidas de dona Amália!  </address>
<address style="text-align: left;">          Será que vale a pena guardá-las?</address>
<address style="text-align: left;">              </address>
<address style="text-align: left;"> </address>
<address style="text-align: left;">         </address>
<address style="text-align: left;"> </address>
<address style="text-align: left;">         </address>
<address style="text-align: left;"> </address>
<address style="text-align: left;"> </address>
<address style="text-align: left;"> </address>
<address style="text-align: left;"> </address>
<address style="text-align: left;"></address>
<address style="text-align: left;">         </address>
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		<title>Mar e Mato</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 12:30:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre desejei viver junto ao mar. Sempre quiz estar no mato, em uma fazenda, no meio da natureza, com toda a sua exuberância, sossego e equilíbrio. Como conciliar duas coisas tão diferentes? Só se fosse em uma fazenda à beira mar. Mas, o que eu queria mesmo era uma morada no sertão, distante de tudo, longe de cidades e onde houvesse muita água corrente, bichos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre desejei viver junto ao mar.</p>
<p>Sempre quiz estar no mato, em uma fazenda, no meio da natureza, com toda a sua exuberância, sossego e equilíbrio.</p>
<p>Como conciliar duas coisas tão diferentes?</p>
<p>Só se fosse em uma fazenda à beira mar. Mas, o que eu queria mesmo era uma morada no sertão, distante de tudo, longe de cidades e onde houvesse muita água corrente, bichos de florestas e eu pudesse criar o gado. Uma paixão! Queria ter cavalos e burros para montar, alguns cachorros Hiller e um terreiro cheio de aves para tratar.</p>
<p>Trabalhei para conseguir, no terço final da vida, me aconchegar nesses espaços. Agora venho me preparando para viver assim. Devagar vou deixando para trás o meu lado empreeendedor e me dedicando cada dia a essas outras paixões: mar e mato. <img class="alignleft size-medium wp-image-155" title="Ronaldo e Marilda 022" src="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Ronaldo-e-Marilda-022-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p>Tenho passado uma parte do tempo na fazenda e outra no mar. Nos dois lugares sempre me levanto cedo para acompanhar o amanhecer cheio de leveza e harmonia.</p>
<p>Procuro todos os dias encontrar um motivo para sentir o quanto é importante estar em paz no lugar que escolhi. Fico pensando nesse privilégio e agradeço a Deus por isso.</p>
<p>Prefiro o mar em cidade grande. Os que me conhecem sabem quanto gosto do Rio de Janeiro. É uma cidade mágica, mesmo com todos os problemas que enfrenta. Ando no calçadão, passeio de bicicleta, vou à praia, circulo pelos shoppings com os netos, percorro as ruas observando tudo. Tem teatro, shows, carnaval, gente que gosta de conversa e acima de tudo uma natureza inebriante. Às vezes me pergunto se aprecio mais o mar  ou essa cidade com sua beleza e contradições. Sem dúvida, o mar.</p>
<p>Paro em meus pontos de observação, como a pedra de Itapuã, que fica no meio da praia da Macumba, solto meu pensamento e  me deixo envolver pelo sol, sentindo a brisa e os respingos das ondas desse mar verde e lindo.</p>
<p>Há locais que me estimulam a conversar comigo, programar as correções de rumo no lado torto da minha vida e me fazem lembrar com mais carinho das pessoas que são importantes para mim. Fico um tempão quietinho pensando em amigos, na Marilda, na familia e nas coisas engraçadas que meus meus netinhos fazem. Estou sempre com saudades deles, mesmo quando os vejo a toda hora.  Minha paciência é pequena para lhe cuidar, mas não consigo ficar longe por muito tempo. Gosto de tê-los por perto. Sei que à medida que ficarem mais independentes nossa convivência será cada vez mais intensa. Acompanho a vida de todos com o cuidado de não interferir na educação que lhes dão seus pais e curto o jeito especial de cada um.</p>
<p>O mar me acalma, me tranquiliza e acima de tudo me energiza.</p>
<p>Mas, não me esqueço da fazenda. Fico com saudades e tenho vontade de ir para lá. Arrumo minhas poucas coisas e vou. Há muito tempo não carrego malas. Só a mochila do computador.</p>
<p>Acordo com o cantar dos galos. Logo os periquitos e pássaros-pretos farão sua algazarra matinal no bambuzal em frente a casa.</p>
<p>Abro a janela e vejo as vacas sendo ordenhadas. É  madrugada ainda. Daí a pouco  o sol nascerá com força intensa.</p>
<p><a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Fazenda-abril-2008-0041.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-159" title="Fazenda abril 2008 004" src="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Fazenda-abril-2008-0041-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Tomo o café forte e variado. Sempre tem coisa gostosa nova na mesa. Bolo, pães de queijo quentes, frutas&#8230;</p>
<p>Debaixo da mangueira minha mula já está arreada e saio pelos pastos com os companheiros do dia-a-dia. Além do trabalho, muita conversa fiada.</p>
<p>São tantas as opções que o dia fica curto, deixando para amanhã coisas que me tomarão o tempo que virá.</p>
<p>Sempre tem gado para olhar, curar, mudar de pasto, levar ao curral. Tratores rodando, homens plantando. Vida correndo.</p>
<p>Passo o dia nessa lida calma e leve e ainda encontro tempo para andar, ler, mexer no computador e passear de motocicleta. No final da tarde quando me sento na varanda, aguardando a noite que se aproxima, em minha mente, bate o pensamento de gratidão, por viver do jeito que gosto: no movimento do mar e na solidão do mato.</p>
<p><a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Fazenda-abril-2008-003.jpg"></a></p>
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		<title>Caminho de Luz</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 11:48:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das coisas que mais admiro nas pessoas é a capacidade de superação de limitações que a vida lhes impõem. Fico pensando como conseguem dar a volta por cima diante de uma dificuldade que parece intransponível. Vejo caso de pessoas acidentadas, com perdas de órgãos ou partes importantes de seus corpos que se transformam em atletas. Pessoas que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das coisas que mais admiro nas pessoas é a capacidade de superação de limitações que a vida lhes impõem. Fico pensando como conseguem dar a volta por cima diante de uma dificuldade que parece intransponível.</p>
<p>Vejo caso de pessoas acidentadas, com perdas de órgãos ou partes importantes de seus corpos que se transformam em atletas. Pessoas que tiveram a alma estilhaçada por perdas importantes demais  que arrumam forças para continuar vivendo e encontram, muitas vezes, na dor o lenitivo para abraçar uma causa nova ou dar sequência a vida sem se lamentar. </p>
<p>O ser humano é de uma beleza insuperável pela sua diversidade e antagonismos. Neste últimos dias acompanho com emoção a tragédia do Haiti. Para completar minha aflição diante desse fato, fico lembrando das guerras silenciosas da África que estão acontecendo neste momento, como a de Darfur no Sudão. Da pobreza de tantos outros povos esquecidos pelo desinteresse dessa mesma sociedade que se mostra presente no país devastado pelo terremoto. Tudo isso sem falar na miséria que presenciamos por todo lado no Brasil. Uma vergonha!</p>
<p>Penso na dificuldade dos inúmeros pobres deste mundo sem abrigo, comida e carinho. Vejo a periferia das grandes cidades com habitações miseráveis se demoronando pela localização ou excesso de chuvas, com pouco alimento, sem assistência médica e proteção. Seres humanos tratados com descuido e distância.</p>
<p>Quanta contradição diante desses fatos&#8230;</p>
<p>Quanta ação necessária cobra a humanidade para dar a todos o direito a uma cidadania plena. Por que manter essa indiferença diante de uma situação com tamanha gravidade?</p>
<p>O homem se reune em vários colegiados importantes para discutir os mais diversos assuntos e não toma uma decisão firme diante de tanta miséria e sofrimento.</p>
<p>Todos sabem que o que mais mais maltrata o planeta é o excesso de pessoas sobre ele. O resto é consequência. Com uma população adequada à reserva de suprimentos, é muito mais fácil encontrar uma solução decente para os habitantes desse nosso canto lindo do universo.</p>
<p>É preciso traçar um caminho de luz, tomando como exemplo os que superam a dor para modificar o nosso modo de usufruir e viver. Não podemos mais continuar aumentando a população exaurindo todas as reservas como se fosem infinitas. Não podemos mais consumir e desperdiçar sem medida.</p>
<p>Parece que a maioria sabe disto. Mas não abre mão do exagero e de um conforto adquirido pela imprudência.</p>
<p>Podemos superar nossas desigualdades se agirmos como aqueles que põem novas forças em sua vidas para contornar os obstáculos que são intransponíveis para muitos. Essa é a mudança que não depende só de governantes. É uma ação individual que deve ser praticada por cada um. O lixo jogado na rua é a complicação da enchente de amanhã&#8230;</p>
<p>Como fazer, então, que o homem entenda isso?</p>
<p>Será que ele só aprenderá diante das catrastrófes? Será  que logo serão esquecidas? Como lembrá-lo que o seu comportamento pode definir o futuro bom ou mau para todos.</p>
<p>Até que ponto o egoísmo continuará produzindo a riqueza de poucos em detrimento de uma maioria de pobres e miseráveis?</p>
<p>Será que esquecem que as consequências serão para todos?</p>
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		<title>Desrespeito à Natureza</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 13:10:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[O Rio de Janeiro é a cidade inscrustada no acidente geográfico mais deslumbrante do planeta. (Fernanda Torres) Embora tenha nascido no interior sou um apaixonado pelo mar. E para mim não há lugar mais bonito que o Rio de Janeiro. Gosto do mar em cidade grande pois seu contraste faz um diferencial enorme diante de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6><span style="color: #008000;">O Rio de Janeiro é a cidade inscrustada no acidente geográfico mais deslumbrante do planeta. (Fernanda Torres)</span></h6>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_144" class="wp-caption aligncenter" style="width: 440px"><a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2009/11/DSC00089.jpg"><img class="size-large wp-image-144  " title="DSC00089" src="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2009/11/DSC00089-1024x768.jpg" alt="" width="430" height="323" /></a><p class="wp-caption-text">Vista do Pão de Açúcar</p></div>
<p>Embora tenha nascido no interior sou um apaixonado pelo mar. E para mim não há lugar mais bonito que o Rio de Janeiro. Gosto do mar em cidade grande pois seu contraste faz um diferencial enorme diante de tantas coisas para ver.</p>
<p><span style="color: #000000;">No Rio, o Recreio e a Prainha são os meus cantos prediletos. Quando estou aqui faço minha caminhada matinal no calçadão e não me canso de ver tanta coisa interessante. </span><span style="color: #000000;">Hoje, como de costume, sai logo cedinho. Que decepção quando cheguei no Pontal, que separa duas praias, Recreio e Macumba. Quanta sujeira havia sido deixada para trás nos últimos três dias de sol em plena primavera.</span><span style="color: #000000;"></p>
<div id="attachment_151" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Chico-Xavier-Janeiro-2010-0142.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-151" title="Chico Xavier - Janeiro 2010 014" src="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Chico-Xavier-Janeiro-2010-0142-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Pontal do Recreio</p></div>
<p>Fiquei pensando no descuido e no descaso da pessoas com aquele lugar. Suas areias claras maltratadas com tanto lixo.</p>
<p></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">Pessoas que passavam, paravam para ver o trabalho dos garis, tentando eliminar aquele rastro de falta de educação deixada pelo homem.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Como pode o ser humano ser tão insensível e grosseiro? Será que não pensa que amanhã ele voltará aquele mesmo espaço para aproveitar o sol e o mar.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Por todo caminho havia lixo, plásticos, garrafas vazias, canudinhos, fraldas usadas, garrafas pet e de vidro, muitas, de mais&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Passei por tudo aquilo e revoltado com tanto desrespeito fui parado por uma mulher que me falou: como pode acontecer isso aqui. Já que proibiram ônibus na prainha porque não proibem também  no Recreio. Não é possível que continuem depredando, poluindo, acabando com tudo.<a href="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Chico-Xavier-Janeiro-2010-027.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-148" title="Chico Xavier - Janeiro 2010 027" src="http://ronaldozica.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Chico-Xavier-Janeiro-2010-027-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></span></p>
<p><span style="color: #000000;">A praia é o lugar mais democrático que conheço. Nada deveria ser proibido ali se as pessoas soubessem se comportar. Há espaço para todos e o mar é maior que toda a terra junta. E o Sol, então?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">O que falta ao homem é a conscientização sobre a importância de preservar o bem comum, que a todos pertence, e, que o ato agressivo de destruir ofende a todos também.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Falta de educação, falta de respeito são catalisadores de uma convivência difícil. Por isso é mais fácil sugerir a exclusão que atacar as causas que levam a esse comportamento incompreensível de destruição.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">A educação deve vir do berço. Mas se os educadores, no lar, não a tem, como transferir esse  manual de boas maneiras aos outros?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Somente a escola bem dirigida com professores conscientes e responsáveis, mestres de verdade, pode ocupar esse espaço que jamais deveria estar vago pela deseducação dos pais.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Ter noção de civilidade e respeito aos outros e à natureza pode fazer a diferença entre um mundo e outro.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Por isso, acho que somente com educação poderei um dia continuar andando por lugares tão belos sem voltar para casa com raiva de quem deveria respeitar.</span></p>
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		<title>Filosofia de Infância</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 17:37:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ganhei há mais de cinquenta anos uma coleção de livros de meu pai que folhei a vida inteira sem ler nenhum deles em sua totalidade. São livros para serem folheados e não lidos, mesmo. Sempre pensei assim! Dentre eles tem um chamado Antologia do Pensamento Mundial. Uma miscelânia de pequenos escritos de diversos filófosos e homens [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ganhei há mais de cinquenta anos uma coleção de livros de meu pai que folhei a vida inteira sem ler nenhum deles em sua totalidade.</p>
<p>São livros para serem folheados e não lidos, mesmo. Sempre pensei assim!</p>
<p>Dentre eles tem um chamado Antologia do Pensamento Mundial. Uma miscelânia de pequenos escritos de diversos filófosos e homens importantes para a humanidade.</p>
<p>Hoje de manhã quando abri meu pequeno e gostoso escritório na fazenda Santa Joana, me deparei com o velho móvel de portas de vidro  que fica à sua entrada e de lá retirei o meu velho companheiro. Fiquei emocionado quando vi minhas anotações de infância. Quanta coisa bonita e cheia de sabedoria que já li em minha vida. Ali lembrei de uma pergunta feita por um amigo, recentemente, sobre qual era a maior invenção do homem. Ele afirmara que era a escrita. Tem razão ,Ivanor, é ela mesma. Pois é capaz de guardarcoisas incríveis nesse ajuntamento de letrinhas que vão criando palavras e frases na expressão do pensamento. Fica guardada é a mesma quando consultada e na hora que queremos.</p>
<p>Assim que abri aquele livro, com saudade, vi tanta coisa que apliquei na vida e quantas desprezei por incompetência ou descuido. Pequenas frases, citações, ditados, provérbios, textos e testemunhos. Sabedoria construída ao curso da vida de tantos homens importantes. Coisas cheias de encanto e de certezas. Por isso, ficaram.</p>
<p>Tem Átila, Pitágoras, o Mestre Jesus,  Nietzsche,  Amiel, Gibran, Tagore, Benjamim Franklin, Victor Hugo, Lope de Vega, Bernard Shaw, Rui Barbosa, Santo Agostinho, Confúcio, Voltaire, Demócrates, Whitman, Omar Al Khayan, Fenélon, Ésquilo, Goethe, Anatole France e inúmeros outros que de alguma forma ali deixaram seu pensamento.</p>
<p>Lembrei do meu tempo de menino curioso quando lia aqueles escritos e achava que os pensamentos surgiam como frases fora de um contexto e ficava criando algumas com  a minha filosofia do nada. Que tolice! </p>
<p>Não entendia, ainda, que a sabedoria era fruto da observação e de uma vida cheia de experiência e conhecimentos que são adquiridos ao longo dos tempos no curso da vida.</p>
<p>Li em voz alta a maioria deles e eles me tocavam com a mesma emoção dos meus tempos de adolescente. Sou observador e gosto de ver onde a bela filosofia está presente em meu viver.</p>
<p>Algumas são pequenas reflexões que podem nos fazer pensar por muito tempo. Outras, páginas pesadas com conhecimento e vigor dignos de serem analisadas a vida inteira.</p>
<p>Viver é desenhar sem borracha, como o diz o Millôr. Mas ao me deparar com tanta coisa linda escrita eu vejo quantos homens inteligentes e sábios passam pela terra marcando com profundidade essa existência desenhada com  conhecimento e arte, sem precisar de apagador.</p>
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		<title>Outono</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 20:10:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[  Para mim o outono é a melhor e mais bela estação do ano, principalmente de seu meio para o fim. Fico encantado com o céu, quase sem nenhuma nuvem, revelando uma tranqüilidade que me alegra a alma. Quando anoitece fico com o desejo de ver o amanhecer seguinte e observar esse fenômeno lindo. Os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Para mim o outono é a melhor e mais bela estação do ano, principalmente de seu meio para o fim. Fico encantado com o céu, quase sem nenhuma nuvem, revelando uma tranqüilidade que me alegra a alma. Quando anoitece fico com o desejo de ver o amanhecer seguinte e observar esse fenômeno lindo.<br />
Os dias são menos quentes. A noite é mais suave. A brisa é quase imperceptível. A vegetação ainda guarda o verde que o verão deixou. A pouca chuva mantêm a terra limpa e os ambientes ainda sem poeira.<br />
É tempo de frutas cítricas, atas e morangos. Algumas flores aparecem ainda nesse período, principalmente azáleas e quaresmeiras. O mais gostoso de tudo, para mim, é o clima de paz que a natureza derrama sobre a terra, nessa época, com a força de um azul celeste indescritível.<br />
Antes que o inverno chegue, amarelando tudo, aproveito essa estação calma e pouco elogiada para refletir sobre a vida e as lições que ela nos trás.<br />
Maio é o mês que mais gosto. Nele são homenageados o trabalho, a vitória, os artistas, os pintores, as mães, inclusive a do Redentor.<br />
Hoje me encontro no outono da vida. Passei por outras estações e elas me deixaram as marcas boas de uma vida feliz. Vivi cada dia como se ele fosse para mim o último e dele aproveitei tudo que me ofereceu.<br />
Nasci no interior e trago dentro de mim as marcas de uma cultura rural ligada a terra, aos rios, ao mato, as sementes e aos animais. Um sistema de vida intimista, mais para a reclusão e o anonimato que para a exposição.<br />
Sou tímido (embora poucos acreditem nisto) e receio me expor. Só o faço, às vezes, por não querer guardar coisas que penso ser bom dividi-las com outras pessoas também.<br />
Encaro a vida de maneira positiva, sonhando e construindo. E é dessa maneira que pretendo viver até o último momento do tempo que me resta, aceitando com paciência as provas que vierem.<br />
Tenho o desejo de ver os outros crescerem e por isso exerço o meu lado professor em tudo que faço. Tento ver o lado certo das coisas e me alegro com o sucesso das pessoas. Preocupo-me com os mais fracos, com os desprovidos e com aqueles que não têm vez.<br />
Penso que o outono é um canto da reflexão quando as folhas começam a cair das árvores. Já foram importantes e necessárias à fotossíntese e, cumprida sua função, se despregam do galho para se juntar a terra e adubá-la.<br />
Sou filho de madeireiro e sei que as árvores choram quando derrubadas e que a floresta geme com tamanho estrago.<br />
Quando falo da natureza, bate em mim a sensação de ter participado de parte de sua destruição e sinto a necessidade de ajudar em sua recomposição.<br />
A consciência do que significa este planetinha lindo e a importância que tem para todos me obriga a agir para preservá-lo.<br />
Não quero perder as belezas de cada época do ano. Menos ainda o azul do céu dessa estação.<br />
Por isso, sei que somente cuidando dele poderemos continuar usufruindo de tantas belezas e das riquezas que nos oferece. Inclusive as noites estreladas do outono.</p>
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		<title>Palestra no I Fórum de Dirigentes de Faculdades de Medicina Veterinária</title>
		<link>http://ronaldozica.com.br/palestras/palestra-no-i-forum-de-dirigentes-de-faculdades-de-medicina-veterinaria</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 12:42:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ronaldo Zica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestras]]></category>

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		<description><![CDATA[Belo Horizonte – MG 21.9.2000 Senhor Presidente do CFMV, senhores dirigentes, senhores professores, alunos e demais integrantes deste fórum, No ano passado assisti a uma palestra de Tom Peters, autor do livro O círculo da Inovação. Ele a iniciava perguntando a platéia qual era a distância entre a cidade São Paulo e Beijing na China. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Belo Horizonte – MG<br />
21.9.2000 </p>
<p>Senhor Presidente do CFMV,  senhores dirigentes, senhores professores, alunos e demais integrantes deste fórum,</p>
<p>	No ano passado assisti a uma palestra de Tom Peters, autor do livro O círculo da Inovação. Ele a iniciava perguntando  a platéia qual era a distância entre a  cidade São Paulo e Beijing na China. Antes que as pessoas respondessem, ele antecipou e disse: sete segundos. Este é o tempo que se gasta para estabelecer a conexão por telefone ou por computador entre dois interlocutores, seja através de satélites ou de cabos, mesmo para distância geográfica tão grande.   Depois falou sobre a distância e disse  que a ela morreu.<br />
 A facilidade de comunicação valoriza a informação que   é um dos instrumentos mais importantes para  o sucesso das pessoas.  No próximo milênio  será determinante.<br />
	Em seguida, ele informava que nos próximos 20 anos entrarão no mercado de trabalho um bilhão e setecentos milhões de trabalhadores asiáticos, alfabetizados, que farão de tudo para colocar no comércio mundial os produtos por eles fabricados e os seus serviços correlatos. A participação da Ásia na produção  econômica  mundial deverá dobrar para 50 por cento ou mais no mesmo período.<br />
	Bill Gates em  A empresa na Velocidade do Pensamento, analisa com profundidade o trabalho no mundo com a rede de computadores e descreve como a maioria dos trabalhadores esteve confinada pela geografia até que essa ferramenta fosse colocada a disposição da comunidade humana. Hoje o E-mail e o telefone proporcionam  interação com colegas e clientes, mas na maior parte do tempo o trabalho é  ainda solitário. Mas essa tecnologia  esta removendo barreiras geográficas no trabalho. Varias empresas de software da Índia estão dando suporte para firmas americanas. Aproveitando-se da diferença de fuso horário, trabalham nos problemas enquanto os Estados Unidos dormem, e têm soluções prontas para os clientes na primeira hora de trabalho da manhã seguinte americana.<br />
	Quando vejo tantas inovações e a velocidade  que elas se processam analiso o que aconteceu comigo nestes meus cinqüenta anos de vida. Nasci em uma cidade do interior,  numa época em que a energia elétrica era privilégio das cidades grandes. A que tínhamos era regrada e havia hora marcada para acabar.  Conheci televisão quando já passara da idade escolar.  O telefone custou a chegar e, fazer uma ligação interurbana era um teste de paciência. Vi as máquinas de escrever avançarem e desaparecerem. Assisti o nascimento e a morte do telex. Acompanho, agora, a agonia do fax diante da força do computador. Às vezes, fico pensando, como era possível viver sem telefone celular, sem  computador pessoal e acima de tudo sem os controles remotos que nos fazem tão felizes, diante de imagens e de sons.<br />
	Tudo mudou tão rapidamente neste últimos anos que nem sempre consegui absorver o impacto dessa descomunal mudança. Sei que o mundo mudará muito mais rapidamente daqui para a frente e é preciso que todos participem dessa transformação para produzir mais e garantir cada dia  colocações de trabalho, abrigo, alimentos, agasalhos e  qualidade de vida para os homens,  garantindo a         sua sobrevivência  neste planeta Terra.<br />
	 Sei que tudo acontecerá dentro de  uma ordem imprevisível, mas  muitas coisas boas acontecerão, sem dúvida. O que mais me preocupa, entretanto, não é futuro, mas o que acontece hoje e como posso dar minha contribuição para que o mundo seja melhor.<br />
	 Diante de tantas transformações e avanços o homem continua o mesmo com suas dúvidas, conflitos e sentimentos.  Continuamos sem saber de onde viemos e para onde vamos.<br />
	 Na minha formação tive a felicidade de cursar uma universidade gratuita que ampliou meus conhecimentos e me forneceu as bases para que eu pudesse entender as coisas que passavam ao meu redor de forma globalizada. Essa instituição, tão mal compreendida pela sociedade latina, foi um   abrigo especial para mim. Ofereceu-me cultura científica, ampliou o meu relacionamento com a ciência e com as pessoas, me fez enxergar o mundo de uma maneira tão fantástica que  a ela serei grato para sempre. Durante 20 anos fui um de seus professores.<br />
Procurei  vive-la com intensidade e busquei ser útil onde ela  precisava de mim. Quando mais lhe dava , mais ela me retribuía. Criou em mim a base para que eu pudesse prestar à sociedade um serviço de utilidade, ganhando dinheiro e gerando trabalho, multiplicando o que com ela aprendi.<br />
 Deixei de ser professor, mas não desejo que a universidade me deixe.<br />
	Há quinze anos sou empresário, e trabalho dentro do ramo em que me graduei. Lido com  o campo, seus problema e suas soluções. Enfrento no meu dia-a-dia os desacertos, a insensibilidade e os desatinos de governantes. Mas, me beneficio de seu acertos, também.<br />
 Sinto o quanto é bom e importante trabalhar para oferecer oportunidades aos outros, pregar no dia-a-dia a correção e o compromisso, ensinar aos que precisam de conhecimento, mostrar o valor da riqueza e sua importância para as pessoas e para a sociedade, fazendo com que ela  produza não só bens, mas também felicidade.<br />
	Procuro estar sempre otimista e pratico o bom humor como regra de vida.<br />
Enfrento as dificuldades de maneira positiva, vendo o mundo pela óptica de realizações e acreditando que não existe problema sem solução.<br />
	 Peço, agora, permissão aos senhores, para expor o meu pensamento sobre o processo educativo do profissional  formado, friso – formado-, sinônimo de feito, construído pela universidade.<br />
Afinal, que atributos deve ter esse homem que  o mercado exige? O que ele precisa saber para se dar bem na vida? Como ele deve se comportar?  Como deve encarar o mundo e suas inovações?  Quais os compromissos que deve ter?  Qual a linguagem que utilizará? Que conhecimentos deverá agregar em si?<br />
	 Penso que acima de tudo a sociedade  precisa de pessoas que prestem como seres humanos, que tenham caráter e ajam com ética.<br />
 Pessoas que aprendam com mestres e não  com instrutores ou professores de mentira. Pessoas que sejam tratadas com educação, com carinho e disciplina.<br />
Pessoas compreendidas e respeitadas e que saibam  compreender e respeitar. Homens decentes, sérios e comprometidos; alicerce do  bom profissional.<br />
Neste ponto, sempre entendi que a universidade tem o papel educador e formador, não apenas de profissionais, mas de cidadãos.<br />
Por isso ela deve ser uma escola que continue a ensinar,  compreendendo que o aprendizado é de fato um processo que nunca termina. Ela deve ser o local onde predominem a seriedade, a ciência e a lógica. Um espaço onde não exista guarida para a irresponsabilidade e para a displicência.<br />
E preciso  ter a coragem de ensinar de verdade e cobrar de verdade. É preciso acabar com a elasticidade da relação instrutor-aluno que permiti a professores despreparados, deixar alunos relapsos chegarem ao mercado de trabalho sem a qualificação profissional necessária. Seria ótimo se a relação fosse a de mestre e aprendiz. Para que isto aconteça tem que mudar.<br />
  	A primeira mudança que considero oportuna é no comportamento dos dirigentes e dos professores. Se não entenderem que são educadores jamais conseguirão implementar as mudanças  para atingir o aluno fazendo dele  o profissional ético, responsável e rico de conhecimento.<br />
Para isso, lembro o velho provérbio  “o  exemplo não é apenas a melhor forma de ensinar,  mas a única”.<br />
Os professores tem a obrigação de servirem de exemplo para seus alunos e assim, deles se tornarem mestres.<br />
	A segunda mudança é no comportamento dos alunos. Eles precisam compreender o valor que tem a universidade, e quanto ela pode fazer por eles. E quanto eles próprios podem fazer para si mesmos e para sociedade ser estiverem bem preparados. Para isso sugiro que se crie em cada um a consciência da importância real que a medicina veterinária tem como profissão decente e digna.<br />
É obrigação de quem ensina  ajudar na elevação da auto-estima de quem aprende. É preciso mostrar exemplos dos que vencem e dos que conseguiram realizar seus desejos. Dos que são sérios, dos que se comprometem , dos que trabalham, realizam e multiplicam. Dos que amam de verdade sua profissão, fazendo o melhor que podem, sem lamúrias, sem negativismo, para o seu bem pessoal e de sua pátria.<br />
	Gostaria muito de ver resgatado o amor próprio dos  alunos e sentir neles um desejo de cobrança criando, assim, um círculo  positivo, onde o professor cobra do aluno o aprendizado. E , o aluno, do professor  a competência.<br />
	Maior atenção para a ética não pode vir desacompanhada da formação técnico-científica.<br />
	Em um mundo globalizado será impossível vencer se o profissional não estiver preparado. Se desconhecer as regras do mercado e não entender  o que significam  marketing e inovação, estará completamente alijado das boas oportunidades.<br />
	 Em minha empresa trabalham hoje trinta e oito médicos veterinários, exercendo desde funções diretivas, gerenciais, técnicas e de vendas, além de diversos executivos das mais variadas profissões. E a minha maior dificuldade é a de selecionar profissionais qualificados e competentes. Em  todos os casos os recém-contratados,  precisam passar por  um programa de capacitação adicional que dura no mínimo dois anos. Esta foi a maneira que encontramos para suprir as deficiências  técnicas encontradas nas pessoas já que o caráter é determinante para a  seleção de qualquer profissional.<br />
	Todas as vezes que abrimos espaços para contratações recebemos inúmeras ofertas de currículos.  Sempre damos preferência aos estagiários que já passaram pela empresa ou por outras similares a nossa.  A maioria dos currículos  é boa. O que não agrada é a conduta e o conhecimento do pretendente. A entrevista individual fumina a maioria.<br />
Gente que não tem apresentação,  não  tem  postura, não sabe falar, não tem raciocínio lógico, não conhece de informática,  não sabe ler uma bula  em inglês, não tem bagagem cultural apesar de ter passado mais de 15 anos em bancos escolares. Pessoas que não lêem, não entendem de informação globalizada, não estão preparadas para conviver no mundo dos negócios.<br />
	 É grande o número de pretendentes que chega a empresa com a auto-estima  em baixa, achando que entraram em uma roubada ao se formarem em curso que tem mais queda para ofício do que para profissão. Que erro; que desinformação!<br />
	Naquela hora, deixo aflorar o  professor que mora em mim e mostro a cada um  a boa escolha que  fez ao optar por ser veterinário. Falo das necessidades da empresa e do país e mostro-lhe o quanto ele é importante para a comunidade e que  ele só não será contratado se lhe faltar bagagem. O emprego  existe e está disponível, só não aceita a mediocridade.<br />
A motivação é  o combustível da vida. Só ela produz mudança verdadeira.<br />
 	De nada adianta, alterar  currículos escolares, introduzir disciplinas novas se as pessoas não compreenderem  o objetivo da mudança,  sua importância e não se comprometerem com ela<br />
	Peço permissão, mais uma vez, para continuar  sugerindo.<br />
	Proponho além das mudanças já descritas que as escolas de veterinária, que ainda não fizeram, percam o receio e proponham parcerias reais e sinceras com as empresas.<br />
Passem a  viver o processo mercantil e entendam que no mundo dos negócios existe tanta seriedade como há no mundo acadêmico. Essa parceria vem dando certo em todas as instituições que a estão adotando.<br />
	Sugiro que dêem foco especial as disciplinas ligadas aos agronegócios, estabelecendo com clareza a relação entre marca,  produto e cliente.<br />
	Que reforcem as exigências quanto a dedicação dos alunos, cobrando o conhecimento de tudo que lhes foi ensinado. Não tenham pena nessa área. Batam duro!<br />
	Que melhorem o sistema de estágio curricular obrigatório levando o aluno, ainda como estudante a conviver com a realidade que enfrentará depois de graduado.<br />
	Informem com clareza a cada acadêmico a razão da existência das disciplinas e a inter-relação entre elas e o porquê das ações executivas.<br />
	Melhorem as informações e invistam em comunicação, dando transparência aos procedimentos adotados. Façam tudo para manter as pessoas motivadas e entusiasmadas. Aí reside o sucesso de qualquer emprendimento.<br />
Por fim, volto a lembrar que a velocidade da mudança pode nos colocar juntos com os países que estão investindo mais e mais na qualidade formação de seus profissionais. Caso contrário, ficaremos para trás,  em posição de inferioridade e dependência que será ruim para todos nós.  Pessoal qualificado , necessitado de espaço e de trabalho, vindo de outros países, poderá ocupar valiosas vagas tão necessárias aos brasileiros, por culpa da  nossa incapacidade de supri-las.<br />
   Com essa economia sem fronteiras aparentes, com informações democratizadas e ao alcance de um número cada vez maior de pessoas no mundo não podemos desconsiderar o seu peso e importância, nesta hora que se discute o perfil  do profissional de veterinária a ser formado pelas nossas instituições de ensino superior.<br />
	Pensem nisso!</p>
<p>	Muito obrigado a todos.	</p>
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